Quem fui, quem sou, quem serei...

De cor verde-esmeralda são os olhos de quem chora, de quem ri, de quem sonha. De quem espera pelo inesperado. De quem sabe que não há impossíveis, mas que acredita na impossibilidade do possível. Na cor verde-esmeralda, habita um presente cinzento e um futuro cintilante. Filha do vento e da brisa, inconstante. Filha da brisa e do vento…

sexta-feira, 17 de outubro de 2008

Aninhada na solidão, no desespero, numa angústia desmedida e num medo de não mais te ver, aceitei o convite de um vento alado. Sentei-me no seu dorso, e sem olhar para trás cavalguei desde o mar até ao rio, deixei-me levar nas asas deste vento até te encontrar.
Acenei-lhe, se tivesse que regressar não seria na sua montada…
Deixei-me então conduzir por um sonho, o de te rever.
Revi-te.
Amei-te até quase me perder de mim em ti…
Cantei-te trovas já escritas e cantadas por outros de voz cantante, cantei-te tal qual serenata à chuva, mas sem chuva, a chuva que havia era somente aquela que aguentava em mim, aquela que só quando não olhaste deixei cair sobre o branco que sob nós se mantinha quase intacto.
Amei-te desde que aceitara ser até ti levada, amei-te quando te vi e não te sorri, amei-te enquanto te cantava, amei-te quando me afastára e amei-te quando quase sob comando acedi aproximar-me de ti.
Amei-te por fim, quando em minha mão pegaste e com força a apertaste.
Era a minha mão unida com a tua.
Amei-te quando me despedi, sem me despedir.
Mesmo não querendo, tinha que regressar ao mar que me esperava, ao mar que acolhera a minha solidão, o meu desespero, a minha angústia e o meu medo.
Chegara a hora do regresso, a hora de não mais te ver, a hora na qual não acreditei…
A doce e calma brisa me esperava, pegou-me ao colo, aninhou-me no seu leito e lá fomos tranquilamente.
Não foi o vento que me afastou, foi a brisa enviada por ti.
De frente ao mar que aguardava por novas, agradeci-lhe, acenei-lhe, e dormi num sonho que dura até hoje, aquele em que fui ao teu encontro cavalgando um vento alado.
O sonho continua…
…não acordei, jamais irei acordar.

BEIJO

20 comentários:

Livremente disse...

Demasiado profundo só quem consegue amar desta forma é que consegue escrever tais sentimentos..

Esperar é uma virtude e aos olhos de quem amamos nunca será demais demostrar..

Multiolhares disse...

quando existem esses momentos lindos, ainda que tudo acabe, devem ser lembrados como belos momentos
beijinhos

alzirota disse...

Tenho-te lido mas não tenho comentado.
Hoje decidi que te deixava aqui um beijinho grande pela qualidade dos teus textos, mesmo que os consideres deprimentes.
Um dia...quem sabe...e a esperança é a última coisa que morre, serás feliz.

mdsol disse...

:)))

OUTONO disse...

SEmpre disse que é nos olhos, que reside a verdade.

O teu "poema" confirma-o.

Beijinho.

Esmeralda disse...

Livremente:

"aos olhos de quem amamos nunca será demais demonstrar..", mas quando não nos amam, torna-se maçador ver e perceber que continuamos a amar, a escrever, a chorar e a deixar nunca a esperança morrer.

beijocas

Esmeralda disse...

Multiolhares:

Não me apetece relembrá-los, fazem-me chorar.
Fazem-me querer mais momentos desses…

beijocas

Esmeralda disse...

Alzirota:

Nunca imaginei que lesses o meu bloguito deprimente.
;)
Foi uma verdadeira surpresa ver por aqui o teu comentário.
OBRIGADA

beijocas

Esmeralda disse...

Mdsol:

Mais uma vez, obrigada pelos teus sorrisos.

beijocas

Esmeralda disse...

Outono:

Obrigada pelas sempre bonitas palavras que me deixas.
Os meus olhos...
...falam sempre por mim.

beijocas

Edu disse...

E eu que pensava que sabia tudo?
Onde fico agora nesse sonho?
Será que posso ser eu , ou me vias prender num so momento...imovel e teu?
ahahahahha
la estou eu a escrever por outra pessoa...sou tao mauzinho.
bjinho

Esmeralda disse...

Edu:

O sonho é meu, mas o momento não foi só meu, foi um momento a dois. Dos dois!!
Nunca o prendi nos meus momentos, apenas o prendo nos meus sonhos, ele sempre foi livre e continua a ser...

Edu disse...

so tu para me levares a serio. bju

Só Eu disse...

Um sonho dura um mar imenso.
De frente ao mar adormece o corpo para que os sonhos se libertem.
Beijinhos

poetaeusou . . . disse...

*
cavalguei,
na solidão das brisas,
esperando o real acordar,
,
maresias de luz
envio-te
,
*

o que me vier à real gana disse...

Que mais chuviscos surjam!
Bom aqui.
Parabéns!

Esmeralda disse...

Poeta:
Porque esperas tu pelo meu acordar?
beijocas

pin gente disse...

até que, ao fim de muito tempo, chegu um príncipe que a beijou nos rubros lábios e a fez despertar de um sono tão profundo...


um beijo, esmeralda

Esmeralda disse...

Pin:

Esse é o meu maior desejo...
...que o meu principe, aquele que me apresentou ao amor me quisesse beijar, e não apenas por um momento, mas sim, por muitos momentos.
Mas tal não acontecerá...

beijocas

Anaconda disse...

Gostei muito do que li. Palavras profundas que fazem pensar, fazem sentir, fazem recordar, fazem viver! Continua este teu trabalho, está excelente